Os candidatos tiveram 4 horas para responder a 24 questões dissertativas; 2ª fase do vestibular vai até terça-feira 16 de janeiro de 2011
A primeira prova da 2ª fase do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) "muito bem feita" e deve ter selecionado "gênios", segundo professores de cursinhos ouvidos pelo Estadão.edu. Neste domingo, 16, os candidatos responderam a 12 questões de língua portuguesa e literatura e 12 de matemática.
(Candidatos checam sala de prova em prédio da Unip, em São Paulo)
"Foi uma prova extremamente difícil, com questões quase impossíveis de se fazer por conta do tempo", afirmou a professora de português do Objetivo Elizabeth Massaranduba. Para ela, houve uma supervalorização da literatura - metade das questões eram sobre as obras indicadas para leitura. "Exploraram principalmente a comparação entre personagens de dois livros diferentes. Com uma prova deste nível, eles devem estar querendo selecionar gênios."
Para a coordenadora de língua portuguesa do Etapa, Célia Passoni, a prova precisou ser feita com muito cuidado pelos candidatos. "Exigiu muito entendimento de textos, domínio de leitura e redação", definiu. "Não sei o que a Unicamp quer com uma prova tão complexa. Com certeza, as notas não serão altas."
Já o professor de português do Cursinho da Poli Claudio Rosa Lopes chamou a atenção para a extensão da prova. "Provavelmente o estudante entendeu o que era para fazer, mas não teve tempo hábil para responder às questões", afirmou. "Vai selecionar alunos com maior capacidade de interpretar textos e conseguir elaborar respostas de maneira objetiva."
Neste ano, a prova de língua portuguesa e literatura trouxe uma novidade: em vez de questões sobre uma obra da lista de livros pedidos pelo vestibular, a maior parte das questões trazia comparações entre dois títulos, de autores diferentes. A lista de livros pedidos, feita em conjunto com a Fuvest, tem nove indicações.
De cinco questões que tratavam de livros solicitados, quatro citaram mais de uma obra e pediram comparações entre O Cortiço e Vidas Secas; Memórias de um Sargento de Milícias e Vidas Secas; Auto da Barca do Inferno e Memórias de um Sargento de Milícias; e O Cortiço e Iracema.
"Isso permite que mais obras da lista de livros sejam cobradas dos candidatos e deve se tornar uma tendência", afirmou o coordenador executivo do vestibular, Renato Pedrosa.
Matemática-
Em matemática, as questões não foram mais fáceis. "A prova exigiu bastante e, na medida do possível, conseguiu abranger todo o conteúdo do ensino médio", avaliou o professor do Objetivo Giuseppe Nobilioni.
Segundo Carlos Shine, professor do Etapa, a Unicamp manteve a característica de aumentar a dificuldade das questões na medida em que o candidato avança na prova. "O exame vai se tornando mais específico e, por isso, trabalhoso." Para ele, o fato de a universidade criar perguntas baseadas em coisas do dia a dia - como o preço de cartuchos de tinta para impressão, poluição e colesterol - é uma maneira de deixar a prova mais acessível para os alunos e mostrar a importância da matemática no cotidiano das pessoas.
Na opinião da professora do Cursinho da Poli Thaís Oliveira, o exame foi "além de difícil, trabalhoso". "O problema maior era administrar o tempo. A prova como um todo tinha 24 questões, cada uma com dois itens. Responder a 48 perguntas em quatro horas não é fácil", avaliou.
A dificuldade na prova de matemática, segundo explicou o coordenador executivo Renato Pedrosa, ocorreu pela necessidade de interpretação dos enunciados, marca registrada da Unicamp e bastante acentuada na prova deste ano.
"Se apresentássemos apenas a necessidade de o candidato usar a fórmula, talvez ele conseguisse com maior facilidade, mas a ideia é mostrar que o conhecimento não é um conjunto de fórmulas isolado. A gente tem problemas na vida a serem resolvidos com o conhecimento", disse Pedrosa. Segundo ele, esse formato, inclusive nas provas de exatas, é uma tendência.
A prova de matemática foi considerada a mais difícil e cansativa pelos candidatos neste domingo, até mesmo por aqueles que tentavam vaga em cursos da área de exatas. "Achei a prova de português mais fácil do que imaginava e a de matemática, matéria em que vou bem, foi o contrário", afirmou o estudante de Engenharia Química Renato Rodrigues Ferreira, de 29 anos, aluno de faculdade particular que concorre a uma vaga no curso de Química. "A expectativa é de ir melhor nas provas de química e física, na terça-feira", disse.
Fonte: estadão.com.br
http://www.estadao.com.br/noticias/vida,prova-de-portugues-e-matematica-da-unicamp-foi-trabalhosa-e-extremamente-dificil-dizem-professores,667029,0.htm